A empolgação parece ter subido à cabeça do prefeito de São Luís. Em uma publicação nas redes sociais, o gestor resolveu brincar de todo-poderoso e declarou, sem qualquer modéstia, que teria “mandado chover” na cidade. No post, em tom de quem se sente acima de tudo e de todos, afirmou: “Mandei uma chuva de leve só pra aliviar o calor e molhar o paisagismo da cidade. Mas calma, meus filhos. Ainda temos drenagens profundas sendo concluídas em vários pontos.”
A declaração, que poderia soar apenas como uma piada sem graça, acabou revelando muito mais do que bom humor: expôs um prefeito visivelmente empolgado consigo mesmo e com uma postura que beira a arrogância. Ao se colocar como alguém capaz de controlar até fenômenos da natureza, o gestor ultrapassou o limite do razoável e transformou uma simples chuva em palco para autopromoção.
A postagem, no entanto, não foi bem recebida por todos. Fieis de diferentes denominações consideraram o comentário de extremo mau gosto. Para muitos, atribuir a si poderes divinos é uma demonstração de desrespeito à fé e aos valores espirituais da população ludovicense, majoritariamente cristã.
Enquanto a cidade enfrenta problemas reais – como alagamentos crônicos, buracos e dificuldades na infraestrutura –, o prefeito prefere brincar de semideus virtual, tratando como espetáculo aquilo que deveria ser tratado com seriedade administrativa. A tentativa de fazer graça acabou virando motivo de constrangimento público e reforçou a imagem de um gestor mais preocupado, mais uma vez, com marketing pessoal do que com os desafios concretos de São Luís.
No fim das contas, a chuva passou. O que ficou foi a sensação de que, na ânsia de aparecer, o prefeito esqueceu que governar exige responsabilidade – e, acima de tudo, respeito à população que não vê nele nenhum ser divino, mas apenas um servidor público eleito para trabalhar, e não para “mandar no tempo”.
