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Na política, nem sempre o maior risco vem da oposição declarada. Muitas vezes, ele surge disfarçado de parceria, conselho ou “preocupação estratégica”. Hoje, uma leitura cada vez mais presente nos bastidores do poder no Maranhão é a de que os maiores inimigos do vice-governador Felipe Camarão não estão fora do seu campo político, mas dentro dele — travestidos de aliados.

Deputados estaduais como Rodrigo Lago, Júlio Mendonça, Ricardo Rios e Carlos Lula, além do deputado federal Márcio Jerry, são apontados por analistas como quadros cuja sobrevivência eleitoral sempre esteve diretamente atrelada à máquina governamental. Fora do guarda-chuva do poder estadual, enfrentariam — como enfrentam hoje — enormes dificuldades. Não é segredo no meio político que muitos desses mandatos só existiram graças ao apoio estrutural e financeiro de governos anteriores, realidade que eles próprios conhecem bem.

Esse cenário ajuda a explicar o desespero militante para que o governador Carlos Brandão deixe o cargo antes do fim do mandato e entregue a cadeira ao vice. Não se trata de um projeto coletivo, nem de uma construção estratégica para o Maranhão ou para Felipe Camarão. Trata-se, essencialmente, de uma tentativa de salvação individual, uma última cartada para garantir acesso ao poder e, com ele, às condições mínimas de disputa eleitoral. Seria a salvação possível — talvez a única.

O problema é que, nesse jogo de sobrevivência, Felipe Camarão vira peça, não protagonista. Enquanto esses aliados atuam de forma ruidosa e intempestiva, pressionando por uma solução que lhes convém, o vice-governador corre o risco de ficar politicamente isolado, sem governo, sem base sólida e, pior, sem mandato. Um cenário que contrasta com uma alternativa evidente: uma aliança madura e estratégica com o governador Carlos Brandão poderia colocá-lo, com relativa facilidade, na Câmara Federal, abrindo caminho para um futuro político consistente e promissor.

Felipe Camarão é jovem, tem densidade política, trânsito institucional e poderia se tornar um deputado federal de destaque, com projeção real, ainda que precise amadurecer na esfera política. Mas isso exige visão de longo prazo — algo que seus supostos aliados não se preocupam. Pensam apenas em si mesmos, ainda que o preço seja sacrificar o projeto político do próprio vice-governador.

No fim das contas, a ironia é cruel: aqueles que se apresentam como defensores de Felipe Camarão podem ser exatamente os que mais contribuem para enfraquecê-lo. Na política, como na vida, nem todo abraço é proteção. Alguns são apenas o aperto final de quem tenta não afundar sozinho.

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