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A filiação da presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale, ao MDB desencadeou uma onda de interpretações apressadas e, na avaliação de interlocutores da política local, profundamente equivocadas, por parte de alguns “formadores de opinião” alinhados ao grupo do vice-governador Felipe Camarão.

Em blogs e até em grupos de WhatsApp de “desocupados pelo poder”, houve quem comemorasse o movimento como se ele representasse um suposto fechamento definitivo de portas para o PT. A narrativa foi rapidamente construída para sugerir um afastamento entre Iracema e o Partido dos Trabalhadores e, por tabela, um abalo na relação da sigla com a pré-candidatura de Orleans Brandão, nome apoiado pelo governo estadual e aliado político da presidente da Assembleia.

O entusiasmo, no entanto, parece ter ignorado um ponto elementar do jogo partidário: nem toda filiação é um recado ideológico, muitas são, antes de tudo, decisões pragmáticas. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que a ida de Iracema ao MDB atende a razões essencialmente técnicas e estratégicas, ligadas à manutenção da atividade parlamentar e à segurança jurídica, nada muito além disso.

Ao transformar um movimento administrativo em um suposto terremoto político, esses analistas acabaram exibindo uma leitura superficial do cenário. Para observadores mais atentos, soou menos como análise e mais como torcida, um erro clássico de quem tenta antecipar fatos que simplesmente não existem.

A realidade é direta: a filiação de Iracema ao MDB não altera em absolutamente nada a aproximação entre o grupo brandonista e o PT. O diálogo permanece aberto, as pontes seguem preservadas e as articulações continuam acontecendo com naturalidade. Não há registro de ruptura, estremecimento ou qualquer gesto concreto que indique mudança de rota.

Mais do que isso, fontes do meio político afirmam que, de ontem para hoje, a possibilidade de uma eventual migração de Iracema para o PT, dentro da janela partidária, permanece rigorosamente a mesma. Ou seja, quem tratou a filiação como ponto final pode ter ignorado que, na política, movimentos estratégicos muitas vezes são apenas etapas de um percurso maior.

A comemoração apressada, portanto, acabou produzindo um efeito inverso: em vez de demonstrar força narrativa, expôs fragilidade analítica. Ao apostar em uma interpretação sem lastro, esses poucos 

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