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Braide tira a máscara e parte pra cima do Presidente Lula cobrando, intervenção na BR-135

A publicação de Eduardo Braide sobre o congestionamento na região do Estreito dos Mosquitos diz mais sobre a estratégia política do pré-candidato ao Governo do Maranhão do que propriamente sobre o trânsito na BR-135.

Ao responsabilizar o governador Carlos Brandão pelos problemas provocados pelas intervenções na ponte, Braide parece tentar construir uma narrativa simples para um problema que, juridicamente e administrativamente, não está sob responsabilidade do Governo do Maranhão. A BR-135 é uma rodovia federal, e as obras, intervenções e manutenção da estrutura estão sob responsabilidade do Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). (Serviços e Informações do Brasil)

E há um detalhe que torna a postagem ainda mais politicamente reveladora.

Apenas 11 dias antes da publicação, Brandão esteve em Brasília justamente para tratar desse problema. No dia 11 de agosto, o governador se reuniu com o diretor-geral do DNIT, Fabrício Galvão, e cobrou providências para a BR-135, incluindo os transtornos provocados pelas intervenções no Estreito dos Mosquitos. Na reunião, também foi discutida a construção de uma nova ponte, com previsão de assinatura do contrato e início das movimentações nos dias seguintes.

Ou seja: enquanto Braide tenta apresentar o problema como demonstração de “descaso do governador”, Brandão havia ido pessoalmente a Brasília cobrar justamente do órgão federal responsável pelas obras.

É aí que aparece a verdadeira dimensão política da postagem.

Braide sabe disso.

Não apenas porque foi prefeito de São Luís e conhece a estrutura administrativa, mas também porque foi deputado federal entre 2019 e 2021. É difícil imaginar que alguém com essa trajetória desconheça que uma BR federal não passa a ser responsabilidade do governador simplesmente porque atravessa o território maranhense.

Por isso, a escolha de Brandão como alvo parece menos uma cobrança administrativa e mais uma construção política.

E há outra leitura possível nas entrelinhas: ao atacar Brandão por um problema que pertence à esfera federal, Braide acaba criando uma crítica direta ao próprio Governo Lula. Afinal, se o problema é a BR-135, se a ponte do Estreito dos Mosquitos é federal e se o DNIT é responsável pelas intervenções, a cobrança naturalmente chega a Brasília.

É uma forma politicamente conveniente de fazer oposição ao governo federal sem precisar confrontar diretamente o presidente Lula.

Esse movimento ganha ainda mais significado diante da disputa de 2026. Braide deixou de ser apenas prefeito e passou a disputar o Palácio dos Leões. Ao mesmo tempo, tenta dialogar com um eleitorado de direita sem necessariamente assumir de maneira explícita todas as consequências de um confronto direto com Lula, especialmente em um estado onde o presidente mantém forte capital político.

A estratégia, portanto, parece ser a do ataque por procuração: mira-se o governador, mas a narrativa leva inevitavelmente ao Governo Federal.

Não é preciso sequer mencionar Lula.

Basta falar da BR-135.

Basta mostrar o congestionamento.

Basta atribuir a responsabilidade a quem não administra a rodovia.

O problema é que a realidade administrativa desmente a narrativa.

O próprio governador foi ao DNIT cobrar soluções. E o próprio DNIT reconheceu os transtornos provocados pelas intervenções na ponte e anunciou medidas para reduzir os impactos no trânsito.

Braide poderia, portanto, ter feito uma cobrança legítima ao Governo Federal. Poderia ter dito que o DNIT precisa acelerar as obras, melhorar a operação do trânsito e oferecer soluções para quem precisa entrar e sair de São Luís.

Seria uma crítica perfeitamente válida.

Mas escolheu outro caminho: atribuir ao governador uma responsabilidade que não é do Estado.

É justamente aí que a crítica política se transforma em tentativa de indução do eleitor ao erro.

E, no contexto eleitoral, isso revela muito.

A postagem parece menos preocupada em resolver o congestionamento e mais interessada em produzir um culpado politicamente conveniente.

No fim das contas, ao tentar acertar Carlos Brandão, Eduardo Braide acaba deixando escapar o verdadeiro alvo que parece estar evitando enfrentar diretamente: o Governo Federal.

E essa talvez seja a parte mais interessante, e mais reveladora, do discurso.

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