A derrota da Seleção Brasileira para a França na noite de ontem não foi apenas mais um tropeço em amistoso internacional, foi um sinal claro de que problemas antigos seguem sem solução dentro de campo.
Mais do que o placar adverso, o que chamou atenção foi a forma como o Brasil se comportou: um time desorganizado, com dificuldades na criação e, sobretudo, vulnerável defensivamente. A França, por outro lado, fez o que se espera de uma seleção consolidada, soube explorar os espaços, controlou o ritmo e foi eficiente nos momentos decisivos.
O Brasil até tentou propor jogo, mas esbarrou em um meio-campo pouco criativo e em uma transição ofensiva lenta. Faltou intensidade, faltou repertório e, principalmente, faltou identidade. A impressão é de uma equipe que ainda não sabe exatamente como jogar.
Do ponto de vista coletivo, o sistema defensivo voltou a apresentar falhas preocupantes. Espaços entre as linhas, marcação frouxa e dificuldade na recomposição foram determinantes para o resultado. Contra seleções de alto nível, esses erros costumam ser fatais e foram.
Individualmente, poucos jogadores se salvaram. A atuação abaixo do esperado de nomes importantes reforça uma questão incômoda: o talento brasileiro, por si só, não tem sido suficiente para competir em alto nível quando falta organização.
A derrota para a França não deve ser tratada como um desastre isolado, mas como parte de um padrão que precisa ser urgentemente revisto. Ainda há tempo para ajustes, mas o sinal de alerta está mais do que ligado.
Se a Seleção quiser voltar ao protagonismo, será preciso mais do que convocar bons jogadores. Será necessário construir um time — algo que, até aqui, ainda não aconteceu.
