Edit Template

A declaração do deputado estadual Rodrigo Lago nas redes sociais, publicada nesta quarta-feira (28), direcionada ao governador Carlos Brandão, está provocando forte repercussão no meio político maranhense e passou a ser analisada por especialistas como uma manifestação de tom intimidatório, com graves implicações institucionais e jurídicas. Ao afirmar que, a partir de 2027, o governador, seus irmãos, cunhada e sobrinho “responderão, sem blindagens, pelos gravíssimos crimes praticados nesses últimos anos”, o parlamentar imputou condutas criminosas a agentes públicos e familiares sem qualquer decisão judicial ou condenação conhecida.

Analistas avaliam que o posicionamento de Rodrigo Lago extrapola o campo da crítica política e ingressa em uma seara sensível: a acusação pública de crimes sem respaldo em investigações concluídas ou sentenças transitadas em julgado, o que contraria princípios básicos do Estado Democrático de Direito, como a presunção de inocência. O fato ganha ainda mais relevância por se tratar de um deputado com formação jurídica, que conhece os limites entre a liberdade de expressão, a crítica política e a responsabilização penal.

Nos bastidores, a declaração é interpretada como reflexo direto da insatisfação de Rodrigo Lago com a decisão do governador Carlos Brandão de permanecer no cargo até o fim do mandato, frustrando expectativas de um rearranjo político que permitiria a ascensão do vice-governador Felipe Camarão, aliado do deputado. A leitura predominante é de que o endurecimento do discurso ocorre após o governador sinalizar mais uma vez que não abrirá mão da chefia do Executivo estadual, o que dificulta, ainda, os planos de reeleição do parlamentar, que não dispõe de lastro eleitoral. Em tese, Rodrigo não teria votos suficientes para se reeleger sem ajuda da máquina pública.

Para observadores da cena política, a fala do parlamentar carrega um componente de pressão política pública, ao sugerir que a permanência no cargo garantiria uma suposta “blindagem” institucional — insinuação grave, sobretudo quando feita sem apresentação de provas, processos ou investigações formais que sustentem as acusações. Juristas ouvidos em análises preliminares destacam que imputar crimes de forma genérica pode configurar abuso retórico e enfraquecer o próprio debate democrático.

Ao optar por esse tom, Rodrigo Lago não apenas expõe sua discordância com a decisão de Carlos Brandão, como também assume o risco de deslocar o debate político para um campo jurídico delicado, em que a retórica pode ser interpretada como tentativa de intimidação ou de deslegitimação pessoal — um movimento que, para analistas, tende a mais tensionar o ambiente político do que contribuir para o debate público qualificado.

Compartilhe essa notícia!

Veja mais notícias!

Email: contato@opiniaoma.com.br

opiniaoma© 2024