Às vésperas de definições centrais para o calendário eleitoral, o Maranhão volta a viver um capítulo que já se tornou recorrente: a transferência da disputa política para os tribunais. O novo pedido sigiloso protocolado no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, reacende um debate que vai além do caso concreto, o da judicialização como estratégia de enfrentamento político e tentativa de derrubada do atual governo.
Não se trata de questionar o direito constitucional de recorrer ao Judiciário. Esse é um instrumento legítimo em qualquer democracia. O ponto que provoca reflexão é o padrão. Em momentos decisivos da vida política estadual, medidas cautelares com alto potencial de impacto institucional surgem como elemento central da disputa. Quando isso ocorre de forma reiterada, e especialmente sob sigilo, o debate jurídico inevitavelmente se mistura à arena eleitoral.
O histórico recente mostra que decisões judiciais já produziram efeitos sensíveis no equilíbrio entre os Poderes no estado, atingindo integrantes do Executivo e envolvendo também o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Independentemente do mérito de cada ação, o resultado político é inegável: desgaste público, insegurança institucional e reconfiguração de forças em momentos estratégicos.
O timing do novo movimento chama atenção. Ele ocorre justamente quando o governador intensifica articulações nacionais e locais, em um contexto de negociações partidárias e definição de alianças. Em cenários assim, qualquer decisão liminar pode alterar o curso das conversas, influenciar posicionamentos e redesenhar estratégias eleitorais.
O risco maior não está em uma decisão específica, mas na consolidação de um modelo em que cada impasse político relevante desemboca, quase automaticamente, no Judiciário. Esse ciclo tende a produzir instabilidade, ampliar desconfianças e tensionar a relação entre os Poderes.
Com o calendário eleitoral se aproximando, o Maranhão vive um momento em que prudência institucional e responsabilidade política deveriam prevalecer. A democracia se fortalece quando o confronto ocorre à luz do debate público, da transparência e do voto, jamais quando a arena judicial se torna o principal campo de batalha.
