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Fora da mesa, Lahesio sofre boicote, despenca e abre vaga para crescimento de Fufuca

A crise em torno de Lahesio Bonfim dentro do grupo de Eduardo Braide começa a ganhar um novo componente: os números das pesquisas.

E o dado mais recente é especialmente incômodo para quem apostava na força eleitoral do candidato do Novo.

Levantamento do Instituto Ranking, divulgado nesta quinta-feira (24), coloca Lahesio em quarto lugar na disputa pelo Senado, com 11,55% das intenções de voto na soma do primeiro e do segundo voto. À frente dele aparecem Roseana Sarney, com 21,40%, André Fufuca, com 18,45%, e Weverton Rocha, com 12,95%.

Na prática, Lahesio está hoje fora das duas primeiras posições e caminhando para um vexame, justamente quando a campanha começa a entrar em uma fase decisiva.

E o contraste chama atenção.

Há poucas semanas, Lahesio aparecia em posição muito diferente. Pesquisa Veritá divulgada no fim de julho apontava o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes na liderança da disputa pelo Senado, com 39,5% na soma dos dois votos, contra 21,8% de Fufuca.

Mais recentemente, outro levantamento do próprio Veritá, realizado entre 12 e 17 de setembro, voltou a colocar Lahesio na liderança, com 44,7% na soma dos dois votos.

É preciso fazer uma ressalva: pesquisas diferentes, com metodologias, períodos de campo e questionários distintos, não devem ser tratadas como uma série histórica perfeita. Ainda assim, o conjunto dos levantamentos mostra que Lahesio já ocupou posições de destaque na corrida e agora aparece numericamente em quarto na pesquisa Ranking.

E é aí que a política entra.

O problema de Lahesio está dentro de casa.

A candidatura de Lahesio não enfrenta apenas adversários externos. Ela parece estar convivendo com uma disputa muito mais delicada: a disputa pelo espaço dentro da própria aliança que apoia Eduardo Braide.

De um lado, Lahesio carrega uma identidade eleitoral própria, especialmente junto ao eleitorado identificado com a direita e o bolsonarismo, mas proibido de levantar de fato a bandeira para não prejudicar Braide.

Do outro, Fufuca aparece cada vez mais incorporado à estrutura política do grupo, com condições financeiras e evidenciada posição de prioridade.

E a diferença começa a aparecer nas pesquisas.

No levantamento Ranking, Fufuca registra 18,45%, enquanto Lahesio tem 11,55%, uma diferença de 6,9 pontos percentuais.

Para aliados de Lahesio, esse cenário reforça uma reclamação que já vinha sendo feita nos bastidores: a de que o candidato não estaria recebendo dentro do grupo o mesmo espaço político destinado a Fufuca.

São relatos e avaliações de aliados, e não uma conclusão que possa ser extraída diretamente da pesquisa. Mas, politicamente, a situação produz uma pergunta inevitável: o grupo está ajudando Lahesio a crescer ou está ajudando Fufuca a crescer às custas do abandono de Lahesio?

De líder a quarto colocado

Esse talvez seja o ponto mais sensível de toda a história.

Lahesio entrou na corrida para o Senado com uma vantagem importante: já possuía uma marca eleitoral própria antes mesmo de integrar a aliança de Braide.

Não precisava ser apresentado ao eleitor.

Precisava, em tese, transformar sua força política em votos para o Senado.

O que chama atenção agora é que, enquanto Fufuca aparece consolidado entre os primeiros colocados, Lahesio começa a perder espaço justamente no momento em que deveria estar ampliando sua presença.

E existe uma ironia política nisso tudo.

Lahesio pode ter chegado ao grupo de Braide para fortalecer a chapa e terminar sendo enfraquecido pela própria composição da chapa.

Essa é a leitura que começa a ganhar força entre aliados do candidato.

Fufuca cresce, Lahesio encolhe e Braide terá que administrar a conta

O problema deixa de ser apenas de Lahesio.

Passa a ser também de Braide.

Porque, se existe uma candidatura ao Senado claramente favorecida dentro da estrutura do grupo, a outra candidatura inevitavelmente começa a questionar qual é o seu verdadeiro papel na aliança.

E quanto mais Fufuca ocupa espaço, mais difícil fica convencer os aliados de Lahesio de que existe tratamento igual.

Na política, não basta dizer que dois candidatos têm o mesmo apoio. É preciso que isso seja percebido pela militância, pelas lideranças e, principalmente, pelo eleitor.

A pesquisa Ranking coloca esse debate em outro patamar.

Lahesio está em quarto.

Fufuca está em segundo.

E as duas vagas são apenas duas.

Se Lahesio realmente está sendo deixado em segundo plano dentro do próprio grupo, como afirmam seus aliados e os bastidores em geral, o maior risco para ele talvez não esteja nos adversários que estão fora da aliança, mas naqueles que estão sentados à mesma mesa.

E, neste momento, o resultado da pesquisa mostra que essa disputa interna deixou de ser apenas uma guerra de bastidores.

Ela já começou a aparecer nas urnas, pelo menos nas pesquisas.

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