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Projeto político de Eliziane respira com ajuda de aparelhos

Há campanhas que enfrentam adversários. Outras enfrentam o próprio tempo. O caso da senadora Eliziane Gama parece caminhar para a segunda situação.

Faltando pouco mais de dois meses para a eleição, a parlamentar ainda não conseguiu transformar o peso do mandato, o apoio declarado do presidente Lula e a estrutura de uma candidatura de mandato em competitividade eleitoral. Pelo contrário. As pesquisas divulgadas até aqui mostram um cenário de enorme dificuldade para quem busca renovar o mandato.

A situação se torna ainda mais delicada porque Eliziane construiu sua trajetória política tendo o eleitorado evangélico como uma de suas principais bases. Hoje, porém, até ateu reconhece o desgaste junto a parte desse segmento, reflexo de mudanças de posicionamento político, falta de palavra e de alianças firmadas ao longo dos últimos anos. Isso reduziu uma vantagem que, em outras eleições, era considerada um diferencial importante.

Outro fator que pesa é o ambiente político da chapa à qual está vinculada. Em eleições majoritárias, dificilmente um candidato ao Senado consegue caminhar sozinho. A força da candidatura ao governo costuma impulsionar seus aliados. Quando esse efeito não acontece, a disputa se torna muito mais complicada.

Nem mesmo o apoio do presidente Lula, ativo eleitoral relevante em muitos estados, tem sido suficiente para alterar esse quadro no Maranhão. Até agora, esse respaldo não se converteu em crescimento algum nas intenções de voto registradas pelos levantamentos públicos.

Na política, é verdade, eleição só termina quando as urnas são fechadas. Reviravoltas acontecem. Mas elas normalmente deixam sinais antes de acontecer. No caso de Eliziane Gama, esses sinais ainda não apareceram.

Hoje, a impressão é de que sua campanha corre contra o relógio e contra um cenário que se tornou extremamente adverso. Recuperar espaço exigirá muito mais do que o peso de um mandato ou de apoios nacionais. No caso, há quem diga: um milagre em torno do desafio de reconquistar confiança, mobilizar sua base histórica e criar um fato político capaz de mudar uma narrativa que, até aqui, tem sido de perda de protagonismo e de dificuldades para permanecer competitiva na disputa pelo Senado.

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